sábado, 4 de janeiro de 2014
domingo, 25 de agosto de 2013
quinta-feira, 15 de agosto de 2013
sábado, 27 de julho de 2013
Verde
Quantas histórias carregam estas imagens...a (pequena) história, a (pequena) viagem que me levou até elas e me trouxe delas, o que nelas consta - a terra, os troncos, os ramos, as árvores...quantas histórias para contar...! E, depois destas imagens, quantas mais histórias até elas, quantas mais histórias nelas!
Símbolos nossos - O galo de Barcelos
A bandeira, o
fado, o galo de Barcelos estão na moda. É bom de se ver que, por estes tempos, valorizamos
o que temos de bom. É bom pensar que não é só uma questão de moda mas sim a
mudança em curso.
E é bom ver que
os jovens de hoje, filhos de outra geração de jovens, ao contrário dos seus
pais, lidam de bem com os nossos símbolos. É bom não se conotar o verde e
vermelho com o foleiro, é bom gostar de ouvir fado, é lindo, e fica bem na
nossa casa, o vistoso galo de Barcelos!
Quer isto
dizer que Portugal está a perder a vergonha de si mesmo? No que aos seus
símbolos diz respeito bem pode fazê-lo! Pequenos gestos e intervenções de alguns
têm contribuído para esta outra forma de amarmos o que é nosso. Lembro o fulgor
e o ânimo com que o Scolari apelou a todos nós o uso da bandeira nacional e
como isso mudou a nossa relação com ela, sigo com interesse a actual intervenção
da Joana Vasconcelos na reanimação de particularidades da nossa tradição
ligadas ao artesanato, ao crochet, ao tricot. Apenas dois exemplos, outros não faltarão.
Mas, o tema é
o galo de Barcelos! Emproado, com motivos de sobra para tal, não lhe bastava a
vasta crista vermelha, agora há-os para todos os gostos…mais para o clássico (com
corações vermelhos e outros motivos coloridos em fundo preto), outros com
vestimenta adaptada à tradição de cada região e outros, ainda, todos cheios de
estilo, com design actual…
Mas o que
sabemos nós do galo de Barcelos? Que história tem por trás? Quem o criou? Eu
nada sei, ou melhor, agora já sei alguma coisa porque me despertou a
curiosidade e fui pesquisar. Tem por trás uma lenda engraçada. Deixo aqui um
pouco dessa história para despertar outras curiosidades.
Criação artística:O berço desta criação será a freguesia de Galegos Santa Maria e o seu criador artístico (quem terá feito o primeiro galo) terá sido Domingos Côto.
“Com efeito, esta figura típica da louça de Barcelos, de fundo
escuro, crista vermelha, pintalgada de corações (o mais vulgar), teve o seu
nascimento em Galegos Santa Maria, pela mão do Oleiro Domingos Côto, na década
de trinta. Primeiramente o galo era feito à mão, começou depois a ser fabricado
à roda e em série, de todos os tamanhos, em quantidades industriais. Hoje corre
mundo como embaixador de Portugal. “
“Em 1935 está presente em Genebra, na Exposição de Arte Popular Portuguesa. Um ano mais tarde, esta exposição repete-se, em Lisboa, com um extraordinário sucesso
É com mais convicção
que, a partir das décadas de 50 e 60,
o Galo de Barcelos
se transforma em símbolo do turismo nacional e ícone de identidade de
uma nação.”
Lenda:
"Segundo
a lenda, os habitantes de Barcelos andavam alarmados com um crime, do qual
ainda não se tinha descoberto o criminoso que o cometera. Certo dia, apareceu
um galego que se tornou suspeito. As autoridades resolveram prendê-lo, apesar
dos seus juramentos de inocência, que estava apenas de passagem em peregrinação a Santiago de Compostela, em cumprimento duma promessa.
Condenado
à forca, o homem pediu que o levassem à presença do juiz que o condenara.
Concedida a autorização, levaram-no à residência do magistrado, que nesse
momento se banqueteava com alguns amigos. O galego voltou a afirmar a sua
inocência e, perante a incredulidade dos presentes, apontou para um galo assado
que estava sobre a mesa e exclamou: “É
tão certo eu estar inocente, como certo é esse galo cantar quando me
enforcarem.“
O
juiz empurrou o prato para o lado e ignorou o apelo, mas quando o peregrino
estava a ser enforcado, o galo assado ergueu-se na mesa e cantou. Compreendendo
o seu erro, o juiz correu para a forca e descobriu que o galego se salvara
graças a um nó mal feito. O homem foi imediatamente solto e mandado em paz.
Alguns
anos mais tarde, o galego teria voltado a Barcelos para esculpir o Cruzeiro do Senhor do Galo
em louvor à Virgem Maria e a São Tiago."
sexta-feira, 19 de julho de 2013
Viajar Coimbra, a bela (apesar dos seus monstros)
No regresso de viagens (dos outros, porque as minhas são
poucas) o comentário invariável é sempre o espanto perante tanta beleza
encontrada fora de fronteiras, o desenvolvimento, a diferença…Não consigo
deixar de me espantar com tanto espanto até porque, no decurso da visualização
da reportagem fotográfica, o meu espanto vai-se reforçando…não com a “tamanha
beleza” do que por lá se viu e conheceu mas porque a “tamanha beleza”
simplesmente não me gera espanto.
Conheço, de norte a sul, alguns lugares do nosso país. Paisagens
urbanas, paisagens rurais, praias, campo, montanhas e verdes, montanhas com
mais pedras que verdes, rios e riachos, centros comerciais, lojas e lojinhas,
restaurantes, tascas, comidas tradicionais, petiscos, estradas e caminhos de
ligar só aqui e ali…coisa pouca! Viajo pouco…mas consumo e assimilo tudo, cada
pedacinho por onde passo e volto a passar, cada novo chão que calco, cada
paisagem nova onde estou. E, não, não sou uma nacionalista convicta, não penso
que em Portugal é que é bom, que somos os melhores…Nada disso. Em muitas
coisas, somos até os piores mas não é disso que me apetece contar ou opinar.
Hoje apetece-me contar da cidade onde vivo. Observo Coimbra
e esta cidade (enquanto paisagem) não deixa de me surpreender sempre que a olho
e a passeio. E espanto-me, sim, esta sua beleza causa-me espanto. E não
preciso apanhar o avião, basta-me sair de casa, estacionar o carro e
percorre-la a pé. Sabe bem subir a couraça, a de lisboa, ir olhando o rio, tão
bem acompanhado, agora, pelo parque verde, ir subindo, ir revendo referências
de outos tempos e ir tendo emoções destes tempos. Passar na josé falcão, rua
que foi minha e que agora não é de ninguém porque não tem (quase) ninguém…subir
mais um pouco e passear (agora) a universidade que, agora, me parece outra…naquela
altura não havia carros, era só rua, só passeios, só ar, só estudantes, só
residentes...algum silêncio! Descer até ao machado de castro, renovado e bem enquadrado nos
lugares velhos, o terraço, olhar e ver até a vista alcançar. Voltar a descer e
caminhar a sé velha, descer a quebra costas, ver como paredes renovadas
albergam tantas outras coisas, coisas que tentam ser novas, ser dos novos
tempos…o arco de almedina, sons que se soltam, ouve-se coimbra…os turistas, eu
também, que olham, os quiosques, as livrarias, as lojas de lembranças, uma casa
de fado, varandas com design, esplanadas, chapéus “de chuva” que ninguém segura
e não aparam água mas que nos param a nós, os turistas, eu também. E chego à
baixa. Que bonita está, e tem vida, gente que se sente que anda bem por ali andar,
eu também.
Por hoje, deste passeio ficam apenas ténues referências a alguns dos seus monstros. Hoje venceu a bela!
Regresso ao carro. Neste pequeno passeio, viajei cá dentro e
por dentro, fui turista na cidade onde vivo, cidade em que continuo a descobrir
beleza passados mais de 30 anos …e só gastei 0,50€ (custo do estacionamento).Por hoje, deste passeio ficam apenas ténues referências a alguns dos seus monstros. Hoje venceu a bela!
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